Conheça o papel da assessoria jurídica e veja dicas de como realizá-la

Desde o século passado o mundo corporativo vem gerando nichos cada vez mais específicos. Com isso, já não é possível uma empresa deixar de contar com a terceirização de algumas expertises, como é o caso da assessoria jurídica.

Também por isso é cada vez mais comum ouvir falar em outros tipos de suporte, como Assessoria de Imprensa, Assessoria Trabalhista, Assessoria de Comunicação e tantas outras. Trata-se de algo como o que se chamava terceirização.

Porém o conceito de assessoria vai além, por envolver também a ideia de parceria, o que implica um conhecimento maior entre as partes, de modo que o contratante e o contratado precisam estar muito mais alinhados.

No caso de você contratar uma empresa de facilities, por exemplo, que terceiriza serviços de limpeza e de segurança, não é estritamente necessário que a prestadora conheça sua cultura corporativa e até detalhes da sua operação.

Já quando falamos de assessoria jurídica a situação muda bastante. O mais comum é, de cara, confundirmos a diferença entre consultoria e assessoria, já que em ambos os casos a prestadora pode agir mais ou menos como uma conselheira.

É verdade que na prática as duas frentes buscam o mesmo efeito, que é o da base legal, com vistas a evitar a ocorrência de litígios ou do que se chama “contencioso”. Enfim, evitar o que leva ao ajuizamento das ações judiciais.

Outra semelhança é que tanto a assessoria quanto a consultoria só podem ser feitas por um advogado devidamente registrado na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), de modo que simplesmente ser bacharel ou mesmo licenciado não basta.

A maior diferença, porém, é que a consultoria não passa de intervenções pontuais. Uma empresa pode ter um problema com algum colaborador, ou mesmo com clientes e parceiros, e por isso buscar uma ajuda específica.

Já na assessoria o que se entende é o suporte continuado, a parceria propriamente dita. Aqui não se fala tanto em um problema específico, mas sim em uma área do Direito, como a trabalhista, por exemplo.

Lembrando que, embora a trabalhista seja a mais comum, muitas empresas precisam desse suporte duradouro por várias razões, como posicionamento de marca e questões de direitos autorais, ou até litígios com concorrentes.

Então, se você quer entender melhor qual é o papel da assessoria jurídica, obter dicas de como você mesmo pode realizá-la e compreender como o mercado vê essa demanda atualmente, siga adiante na leitura.

As questões mais propositivas da área

Já vimos que a questão trabalhista é uma das mais comuns. Contudo, também é preciso lembrar que a assessoria jurídica não funciona apenas contra litígios, mas tem também um aspecto mais propositivo.

O mais óbvio deles é o da abertura de empresa simples ou de qualquer outra categoria. Afinal, é muito comum que negócios iniciados em casa se tornem maiores e, por isso mesmo, exijam uma formalização e abertura de Pessoa Jurídica.

Em alguns casos essa demanda pode ser bastante técnica, e quase sempre envolve esferas municipais, estaduais e federais. Então cabe à assessoria recolher documentos, assinaturas e desenhar uma abertura que permita a futura venda ou serviço.

Outro ponto propositivo e indispensável é o da elaboração de contratos. Esse tipo de elaboração também envolve aspectos bastante técnicos, podendo incluir:

  • Parcerias de fornecimento;
  • Contratos de financiamento;
  • Prestação de serviços;
  • Alteração de Contrato Social;
  • Contrato de compra-venda;
  • Entre outros.

Por fim, uma questão espinhosa é a de serviços tributários. O ponto aqui é bastante delicado, já que problemas fiscais podem levar uma empresa à falência, ou implicar os donos em crimes que podem ser imputados às suas pessoas físicas.

Assim, se a consultoria tributária daria apenas um parecer sobre uma transação em específico, cabe à assessoria ir além, não apenas atendendo a legislação e evitando multas, mas desenhando uma proposta de contribuição que seja mais enxuta.

É graças a isso que algumas empresas conseguem economizar montantes consideráveis simplesmente mudando sua classificação tributária. Se esse serviço não for bem feito, um negócio pode pagar mais impostos do que deveria realmente.

Vantagens: a assessoria jurídica como cultura

Além do aspecto propositivo da assessoria jurídica, que já bastaria para torná-la indispensável a qualquer negócio que pense não apenas no hoje, mas também no médio e longo prazo, temos os benefícios formais desse tipo de serviço.

O primeiro deles é, justamente, o médio e longo prazo da marca, ou seja, sua boa reputação. Tudo é questão de boa fé, então, uma empresa que faça montagem industrial e esteja no mercado sem nenhum problema certamente sairá na frente da concorrência.

Ainda mais com o advento da internet e das plataformas como as redes sociais, onde é cada vez mais fácil um cliente em potencial puxar o histórico de uma marca. Outra vantagem é a otimização do tempo com tarefas mais importantes.

De fato, só de fazer tudo certo e não perder tempo com questões que fogem do horizonte principal da marca, isso já vai oxigenar a disposição da equipe e tornar o time todo mais disposto e mais produtivo.

Infelizmente o Brasil não é conhecido por ter uma visão positiva do mundo jurídico. Geralmente pensamos nisso apenas quando temos problemas, mas o aspecto preventivo é fundamental, e é a base da assessoria jurídica.

Trata-se da famosa sentença de que “o barato sai caro”. Uma empresa de descarte de resíduos hospitalares economizaria muito em termos de gastos com ações judiciais, ou mesmo com honorários advocatícios, se contasse com uma assessoria.

Por isso, é importante pensar na assessoria jurídica como uma cultura, como um serviço que faz parte das demandas correntes da empresa, tal como a demanda por segurança, limpeza, serviços de contabilidade e afins.

Como montar uma proposta e apresentá-la

Tudo o que dissemos acima demonstra como o mercado vê a assessoria jurídica, e isso é fundamental para uma empresa que atua na área, pois lida com a percepção do público e com as demandas dos clientes.

Após ter essa visão macro, é a hora de colocar a mão na massa. Esse esforço pode muito bem começar com uma proposta-padrão, que depois servirá tanto para indústrias quanto para escritórios que prestam serviços contábeis.

Como a proposta vai ser universal, é preciso que ela não contenha detalhes como valores, mas que permita ajustes para a customização de cada caso. O importante é lembrar que cada cliente é um cliente, e não pode haver generalização.

Então deixe uma proposta-padrão pronta, com todas as áreas de atuação que você e seu time de funcionários são capazes de atender, depois personalize para cada nova oportunidade. O outro ponto é, justamente, o da apresentação dessa proposta.

Aqui reside um dos maiores segredos desse negócio, o que tem a ver, de novo, com o fato de que cada cliente é diferente dos demais. A apresentação pode ir desde uma simples reunião em formato horizontal, de bate-papo, até algo mais técnico e tecnológico.

Aqui vem o famoso feeling do vendedor, mesmo que você não seja um. Afinal, falar com um fabricante de termopares pode ser totalmente diferente de falar com um escritório de marketing digital, você concorda?

A dica de ouro é formatar a mesma proposta dos dois modos. No caso de um cliente de marketing, não hesite em investir em uma apresentação com projetor, slides e demais  amparos tecnológicos. No outro caso, priorize apenas o tradicional.

Montando o perfil e discutindo valores

Muito do que dissemos acima, acerca do mercado e de sua visão sobre a assessoria jurídica como um todo, diz respeito ao público-alvo, que hoje costuma ser chamado de persona. Agora é hora de entender melhor onde tudo isso entra.

Com o advento do marketing digital a noção de público foi ampliada, e em vez de simplesmente remeter a dados como “nome, idade, endereço e gênero”, hoje é preciso você se colocar no lugar do cliente, como que “pensando com a cabeça dele”.

Aqui reside outro segredo sobre como realizar a assessoria jurídica de maneira satisfatória. Se os perfis da sua persona já são importantes, é preciso ir além e puxar o máximo possível de informações sobre cada um dos clientes em potencial.

Você pode começar pela própria Receita Federal, onde é possível apurar informações como estado do cliente, seu ramo de atuação, porte da empresa e até nome dos sócios. Outra dica são as redes sociais, que podem ajudar ainda mais a traçar um perfil.

Por fim, a tratativa em função de valores é algo fundamental, e a deixamos por último intencionalmente. Afinal, não há como conceber um valor sem compreender o momento do cliente.

Se a empresa lida com consultoria contábil e tem uma carteira enorme de clientes ativos, o que se tem é um cenário. Mas e se ela acabou de começar no ramo, ou pior, e se passa por uma crise severa e por isso precisa de assessoria jurídica?

Obter essas informações antes de chegar à mesa de negociação pode fazer toda diferença entre conseguir ou não o cliente. Com isso vemos como a assessoria jurídica é importante e pode ser bem realizada, trazendo sucesso aos contratantes e contratados.

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

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